ABRIL NA RUA 2026

[ Criação ]

VIVER ABRIL | PENSAR ABRIL | SONHAR ABRIL

Um espaço de partilha para celebrar e refletir Abril

O Teatro Só propõe uma prática criativa de caráter experimental, onde este ano ocupa novamente a Rua Sousa Prado como lugar de experimentação artística, reunindo um conjunto de intervenções de cariz expositivo que partem de um convite a artistas da região.

Escutar o lugar de revolução e liberdade hoje e entender como influencia o modo como projetamos o amanhã. Transformamos a rua num espaço de reflexão partilhada entre artistas e comunidade sobre revolução e liberdade, aprofundando o modo como Abril contribuiu para a alteração do pensamento sobre estes signos numa perspetiva estética e política.

ABRIL 2026

Rua Sousa Prado, Odemira

ANTENAS DE ABRIL

[Nuno Torres com Beatriz Cantinho, Carlos Santos, Pedro Tropa e Silvestre Martins ]

Antenas de Abril irrompe como uma frequência indomável — uma convocação artística que atravessa passado e presente para expor o controle imperial e ampliar as vibrações da resistência.

Partimos do centro emissor de onda curta do ultramar, em São Gabriel — antena monumental do regime – e das rádios livres, insurgentes e poéticas, que emergem nas margens, como ato político e gesto de libertação que ainda hoje vibram no nosso imaginário coletivo.

Uma instalação em forma de rádio expandido, que funde arquivo e ficção, memória e imaginação. Um corpo sonoro-visual, que convida o público a atravessar as ondas invisíveis que alicerçaram novas consciências.

ANATOMIA DA MIGRAÇÃO

[Gonçalo Condeixa]

Eu, a minha irmã, uma prima, construíamos casas de papel vegetal. Eram estruturas frágeis, mas que continham a ideia universal de conforto e abrigo, numa tentativa de combater a solidão. No século XX, milhares de portugueses ergueram habitações precárias nas bidonvilles de Champigny-sur-Marne, nos arredores de Paris, movidos pela esperança de um futuro melhor. Foram os nossos anos da lama. Hoje, novos migrantes chegam ao nosso país com o mesmo sonho de um futuro melhor.

As radiografias são janelas para o interior. E apesar de serem para o interior permitem-nos ver mais longe,  revelando que, hoje como ontem, somos todos iguais, homo sapiens sapiens.

MURAIS, MEMÓRIAS E MENUS

[Gonçalo Condeixa com alunos da Escola Secundária de Odemira]

“Murais, Memoriais e Menus” reúne trabalhos de alunos de Artes do Ensino Secundário de Odemira, orientados por Gonçalo Condeixa, refletindo sobre Abril e a liberdade.

O mural coletivo evoca figuras marcantes da luta pela democracia.

O memorial convida à participação da comunidade, promovendo partilha de memórias. O menu surge como metáfora dos momentos da madrugada de 25 de Abril, cruzando história, memória e criação artística.

ORDEM ANALFABÉTICA

[Ana Baleia com Casa do Povo de São Luís]

Lembro-me da felicidade que senti quando comecei a conseguir ler,  uma das primeiras frases que escrevi no meu caderno foi: “Não saber ler é muito triste”. 

Em criança convivia diariamente com pessoas que não foram à escola. Muitas, eram pessoas com mãos de terra e de lenha, que mal conseguiam pegar numa caneta e assinavam de cruz.

Antes de Abril, cerca de um quarto da população não sabia ler nem escrever. No Alentejo, o trabalho braçal sazonal afastava as crianças da escola e a falta de acesso à educação era utilizada como ferramenta de controlo social. 

“(…)Toda a pessoa que não sabe ler e pensa como eu, sente-se a pessoa mais pobre que neste mundo apareceu.” (Liberdade Sobral, estrofe final do poema “A Minha Vida”).

KANTAR ABRIL 2.0 

[Ivo do Carmo]

Nesta edição do 25 de Abril celebramos a temática da VOZ enquanto POTÊNCIA.  Esta instalação visa reflectir sobre a voz enquanto encarnação orgânica e visceral da palavra.

A VOZ enquanto potência é susceptível tanto de amplificação (o microfone, o megafone, falar alto) como do inverso, de dissimulação (a caneta, a senha, o murmúrio). A Revolução de Abril é o momento histórico da libertação da VOZ. O que circula em segredo e na clandestinidade, alcança o seu momento histórico de reivindicação, protesto, aclamação e proselitismo.

Convidamos os participantes a percorrer o itinerário da VOZ, da clandestinidade para a afirmação, nos seus diversos momentos até à sua celebração histriónica pós-moderna como o Karaoke.

No mundo actual com renovados ditames autoritários e silenciadores, é nosso dever cultivar a voz.